top of page

Institucionalização e Perda de Identidade

      Quando o idoso vai para uma instituição, entra num ambiente coletivo onde prevalecem regras e imposições que são muito diferentes da sua personalidade/individualidade e história de vida. (Lourenço, 2014). Segundo Gineste e Pellissier, citado por Lourenço (2014), os idosos quando entram numa instituição têm maior probabilidade de riscos a nível da morbilidade física e psíquica e, quando a institucionalização é feita contra a vontade do idoso, estes riscos aumentam.

    De acordo, com Fonseca (2004:183), citado por Lourenço (2014), no processo de envelhecimento, há aspetos como a saúde física, a personalidade, o estado de ânimo, a relação com a família e com a sociedade, que sofrem alterações e devem ser encaradas como um período de adaptação e esforço. Desta forma, existe uma reorganização da vida, devido ao maior número de perdas e menos número de ganhos.

         A família e a comunidade são muito importantes para o idoso e, a perda deles é um marco muito importante na vida do idoso. Perde - se o amor, o carinho e o afeto desta e, o idoso, passa a sentir-se “estranho” no novo mundo a qual não pertencia. Neste sentido, perde também o contato com os vizinhos, amigos e colegas que fizeram parta da sua vida (Lourenço, 2014).

        Cardão (2009:44), citado por Lourenço, 2014 p.33 afirma que o idoso se sente revoltado por ser esquecido pela sociedade e pela família. E são percetíveis nos seus discursos expressões que remetem para pouca esperança,  agressividade voltada para si mesmo, pensando que é inútil e desculpando a família pelo o abandono. 

      Como está institucionalizado, o idoso perde a independência de poder escolher devido às normas, regras e princípios estabelecidos pela instituição. Na instituição, o idoso que queira ser ativo e ter projetos que o realizam pessoalmente encontra sempre barreiras que impedem a sua realização, pois as regras são rígidas e  levam a que o sujeto perca a vontade de viver e de dar a sua opinião, seguindo-se apenas por estas normas que lhe são impostas (Lourenço, 2014).

      Uma das grandes marcas da entrada numa instituição, é a perda da privacidade, pois os espaços da instituição passam a ser divididos com os outros membros (estranhos para o idoso),que não fazem parte do seu do seu ciclo de familiares, amigos, vizinhos e colegas. De modo geral, as relações entre idosos não são muito profundas, pois muitas vezes não existem interesses comuns que permitam uma boa conversa para estabelecer laços de amizade (Pimentel (2001:208) citado por Lourenço,2014).

         Em certas instituições, verifica-se o desinteresse no cuidado da imagem e do corpo, tendo a representação de que os idosos já não sentem vontade se sentirem bonitos. Isto, contribui de forma significativa para a despersonalização do idoso (Lourenço,2014).

    Nas instituições a sexualidade dos idosos é algo muito incompreendido, pois não se percebe que é algo inerente ao ser humano, desde o seu nascimento até à sua morte. Muitas vezes, de forma errada, o idoso é visto como ser assexuado e ridicularizado quando revela manifestações de amor e ternura (Lourenço,2014).

bottom of page